quinta-feira, 19 de maio de 2016
Sarah Vicomte: "Manifesto contra o orgasmos"
terça-feira, 29 de junho de 2010
Estamos sós?
A resposta do DVD:
quinta-feira, 3 de junho de 2010
mais um Sanguineti
a poesia é ainda praticável, provavelmente: eu a pratico, a vejo,
todas as vezes, praticamente assim:
com essa poesia muito cotidiana (e muito
do cotidiano, própria): e essa poesia muito diária (e muito jornalística,
também, isso se vê) é mais clara, depois daquele artigo de Fortini que tagarelava
sobre a clareza do artigo de jornal, haja visto o “Correio” da segunda-feira
11, e que tinha por título, destaco, “porque é difícil escrever claro” (e que
prossegue dizendo, ai-de-mim!, que a clareza é como a virgindade e a juventude): (e que
é preciso perdê-la, evitá-la, para encontrá-la): (e eu digo: olha, é muito melhor
perdê-la que encontrá-la, no fundo):
porque eu sonho em me afundar, o quanto antes, de cabeça,
já, num absoluto anonimato (hoje, que eu já perdi tudo, ou quase): (e
que isso significa, creio, bem fundo, que eu sonho absolutamente em morrer,
isso volta, eu o sei):
hoje o meu estilo é não ter estilo:
---
la poesia è ancora praticabile, probabilmente: io me la pratico, lo vedi,
in ogni caso, praticamente così:
con questa poesia molto quotidiana (e molto
da quotidiano, proprio): e questa poesia molto giornaliera (e molto giornalistica,
anche, se vuoi) è più chiara, poi, di quell'articolo di Fortini che chiacchiera
della chiarezza degli articoli dei giornali, se hai visto il "Corriere" dell'11,
lunedì, e che ha per titolo, appunto, "perché è difficile scrivere chiaro" (e che
dice persino, ahimé, che la chiarezza è come la verginità e la gioventù): (e che
bisogna perderle, pare, per trovarle): (e che io dico, guarda, che è molto meglio
perderle che trovarle, in fondo):
perché io sogno di sprofondarmi a testa prima,
ormai, dentro un assoluto anonimato (oggi, che ho perduto tutto, o quasi): (e
questo significa, credo, nel profondo, che io sogno assolutamente di morire,
questa volta, lo sai):
oggi il mio stile è non avere stile:
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
do diário de luto de RB
Espantado pelo fato de que Jesus amava Lázaro e que antes de ressuscitá-lo, ele chora (João, 11).
"Senhor, eis que está enfermo aquele que tu amas."
"Quando, pois, ouviu que estava enfermo, ficou ainda dois dias no lugar onde se achava".
"Lázaro, o nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo do sono."
Jesus [...] comoveu-se em espírito, e perturbou-se, etc."
11, 34-35 "Senhor, vem e vê". Jesus chorou.
Disseram então os judeus: Vede como o amava.
Perturbando-se novamente.... (tradução via Biblegateway)
Frappé par ceci que Jésus aimait Lazare et qu’avant de le ressusciter, il pleure (jean, 11).
« Seigneur, celui que tu aimes est malade. »
« Quand il apprit que celui-ci était malade, il resta encore deux jours à l’endroit où il se trouvait. »
« Notre ami Lazare repose ; je vais aller le réveiller. » [le ressusciter]
... « Jésus frémit intérieurement. Troublé, etc. »
11, 35. « Seigneur, viens et vois. » Jésus pleura.
Les Juifs dirent alors : « Comme il l’aimait ! »
Frémissant de nouveau en lui-même.... (BARTHES, Journal de deuil. Paris : Seuil, 2009, p. 198)
sábado, 12 de dezembro de 2009
Italiano vero [traduzido do Repubblica de hoje]
por PAP KHOUMA
Sou italiano e tenho a pele negra. Um black italiano, como ouvi durante o controle de passaportes no aeroporto de Boston, da boca de uma afro-americana, responsável pela segurança. Mas vocês têm ideia do que significa realmente ser italiano e ter a pele negra na Itália de 2009?
Vejam só, quando vou à prefeitura em Milão requerer um certificado e exibo meu passaporte italiano ou a minha identidade, o funcionário, sem ao menos dar uma olhada nos meus documentos, mas só olhando meu rosto, exige mesmo assim meu permesso di soggiorno [Visto de permanência] ; o que nenhum cidadão italiano possui. Lembro de uma ocasião em que, em uma outra repartição da prefeitura de Milão, uma funcionária se espantou com o fato de eu poder ter a carteira de identidade italiana e pediu ajuda a outros dois colegas, que acudiram logo, deixando cada um uma fila de gente esperando nos respectivos balcões. O diálogo deles era mais ou menos assim: "Me passou a sua carteira de identidade italiana mas disse que não tem visto. Como é possível?". "Como você fez pra ter a identidade, se não tem visto... entende? Onde conseguiu esse documento? Você entende italiano?". "Não tenho o visto", me limitava a responder.No documento entregue pela prefeitura (e nas mãos dos três funcionários da prefeitura) estava estampado "cidadão italiano", mas eles continuavam a se concentrar na minha cara negra, enquanto as pessoas na fila perdiam a paciência."Por que não leem o que está escrito no documento?", sugeri. Instante de surpresa mas.... finalmente me trataram por senhor". "O senhor é cidadão italiano? Porque não disse logo? Nós não estamos acostumados a ver um extracomunitario
[N.T.: Extracomunitario: alguém que vem de fora da Europa, que não tem nacionalidade europeia. Na Itália, tornou-se sinônimo de qualquer um de aparência não branco-europeu. Também é uma palavra usada pra não se dizer "negro". Viva o humor: http://cearensesinternacionais.wordpress.com/ Tão relativo isso de identificar alguém pelo traço físico. Gramsci e tantos outros poderiam passar facilmente por cearenses]. ...".
A objeção poderia ter algum sentido mas quando, para ser curto e grosso, sublinho de súbito que sou cidadão italiano, ouço responderem coisas do tipo: "Você possui o passaporte italianos mas não é italiano". Ou ainda, com um sorriso: "Você não tem a nacionalidade italiana como nós, tem apenas a cidadania italiana porque é extracomunitario".
Uma noite, quando morava próximo à alameda Piave, zona central de Milano, percebi uma pessoa se aproximar enquanto eu abria meu carro, chaves nas mãos. Me perguntou com um tom peremptório porque estava abrindo aquele carro. Instintivamente respondi: "Porque o estou roubando! Chame a polícia! Rápido". E ao justiceiro espantado, só restou a opção de sair pelo escanteio.
Em outra ocasião, em Milão, às oito da manhã em uma alameda de tráfego intenso, minha companheira dirigia e, inadvertidamente, deu uma fechada em uma mulher de moto. Ela desceu correndo para verificar o estado da acidentada. Peguei no volante para estacionar o carro e liberar o tráfego na hora do rush. Uma outra mulher (branca) no engarrafamento, desceu de seu próprio carro e correu até minha companheira (branca) e, difundindo o pânico, lhe disse: "Olha lá, enquanto você está aqui, tem um extracomunitario roubando seu carro". "Não é um ladrão, é meu companheiro", ela respondeu.
Toda vez que mudo, tenho que enfrentar um tipo de ritual de passagem. No início, saúdo com um sorriso os inquilinos com quem cruzo por acaso nos corredores: "Bom-dia" ou "Boa-noite". Com os jovens, tudo corre fácil. Os adultos são mais desconfiados. Posso até entendê-los quando me perguntam se moro ali, já que é a primeira vez que nos encontramos. Mas continuo sobressaltado quando ouço responderem a meu bom-dia com frases do tipo: "Não compramos nada. Não pode vender nada aqui!". "Quem te deixou entrar?".
Em setembro desse ano, estava com meu filho de doze anos e esperávamos juntos a chegada do metrô na estação de Palestro. Como sempre, o altofalante exortava aos passageiros de não ultrapassar a linha amarela de segurança. Um senhor idoso apostrofou ao meu filho: "Estão falando com você, rapazinho. Ultrapassou a linha amarela. Você tem que saber que é proibido ultrapassar a linha amarela... maleducado". Chamei a atenção do senhor para o fato de que meu filho estava longe de ter ultrapassado a linha amarela, mas ele continuava a gritar: "Não devia nem estar nesse país. Volta pra tua casa... escória do mundo. Vai pagar por isso mais cedo ou mais tarde"
Algumas semanas atrás, no aeroporto de Linate, entrei em uma banca para comprar um jornal. Havia um jovem caixa todo tatuado, aproximei-me dele para pagar e me indicou uma outra caixa aberta. Paguei e dirigi-me para a saída, quando o jovem começou a gritar para a caixa: "Aquele homem de cor pagou o jornal?". A caixa respondeu gritando: "Sim, o homem de cor pagou!". Voltando atrás, lhe disse: "Não é preciso gritar assim. Viu muito bem enquanto eu pagava". "O senhor me viu bem? Sabe com quem está falando? Olha bem pra mim! Sabe o que sou?". Tentava me intimidar. "Um racista!", lhe disse. "Sim, sou um racista. Fique bem esperto!". "O senhor é um cretino", repliquei.
Quem vive nessa situação cotidiana por mais de 25 anos, ou acaba aceitando-a, ou finge de não ser nada para poder viver sem enlouquecer, podendo tornar-se desconfiado, amargo, ou cheio de "preconceitos ao contrário", o tempo todo ligado, correndo o risco de confundir as situações e de ver racistas surgindo de toda parte, de perder a cabeça e de gritar e de xingar em meio à multidão. E o seu algoz, que tem a faca e o queijo na mão, comenta com calma, usando uma "fórmula" banal mas muito eficaz: "Olhem, ele está gritando, me xingando. No entanto, ele é um hóspede em minha casa. Vocês são todos testemunhas...".
Assisti por acaso à apresentação de uma banda em Aguzzano, Piacenza. Quando quase todos já tinham ido embora, vi, no meio da praça, uma bandeira italiana pegando fogo sem uma explicação razoável. Deixei de ir apagá-la, mesmo se era próximo. O que teriam pensado ou como reagiriam as pessoas, vendo um "extracomunitario", na praça de um vilarejo, com a bandeira italiana em chamas nas mãos? Muitos símbolos juntos. Deixei a bandeira queimar pela paz de todos.
Por outro lado, apreciei infinitamente o comportamento dos policiais do posto do metrô da Praça do Duomo de Milão. Não queria chegar atrasado ao trabalho e estava correndo pela multidão. De repente, senti me segurarem pelos ombros e a darem pancadas. Encontrei-me frente a frente com um jovem policial de uniforme, que me ordenou, gritando, de passar-lhe os documentos. Apresentei minha identidade ao policial que, já explodindo de raixa, sem abri-la, mandou-me segui-lo. Chegando ao posto policial, declarou a seus colegas: "Esse extracomunitario se comporta como um prepotente!"Felizmente as minhas explicações não foram desmentidas pelo colega presente aos fatos. Os policiais verificaram com cuidado meus documentos e depois concluiram que o seu jovem colega havia errado, pedindo-me de desculpá-los. Até lamentaram pelo meu atraso ao trabalho.
Com tudo isso, tenho a impressão de que, ao contrário da maioria das pessoas, não parece anormal para os policiais encontrarem-se frente a frente a um cidadão italiano com a pele negra ou marrom. "Nós não estamos habituados!", ouvimos dizer sempre e por toda a parte, de nove a cada dez pessoas. É um álibi que não funciona mais, após trinta anos que vivemos e trabalhamos aqui, que casamos com italianas/italianos, fazemos filhos mestiços ou não, que crescem e são educados nas escolas e universidades italianas.
Um fato desconcertante ocorreu há três anos, quando fui agredido por quatro controladores de trem no Atm em Milão e fui parar no pronto socorro. Ainda hoje enfrento processos, no entanto são os controladores as vítimas e eu o réu. Uma coisa é certa, ainda tenho fé na justiça italiana.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Heróis de papel
Os heróis de papel
Super GT é mais rápido que Mitmit Astrojet Jumbojet Popeye comeu espinafre enlatado e deu um soco na cara dele e Nembo kid limpou a cidade.
Lettera X onde está o segredo de Asterix Motor X Mister X stop onde vai que coisa faz se é o Barão Vermelho que vai dar o golpe nas costas, não tenha medo que logo chega Nembo Kid.
Que mundo será esse em que é preciso chamar Superman, que mundo será esse faz o efeito de um motor que não engrena.
Eis porque estão todos diante de ti Charlie Brown
An bedeshbod dipidibidò bedan dobedin dobendan subddan subdan subdan subdan uinbedenbodenbedinbedonbedin shudabdandandan ananan baribidobidon bidansu uaaaaaaaaaoooooohhhhhh
"Infeliz o povo que precisa de heróis" - Brecht
---Gli eroi di cartone, di Lucio Dalla
Lettera X dov'è il segreto di Asterix Motor X Mister X stop dove vai cosa fai se c'è il Barone Rosso che alle spalle colpirà, niente paura che tanto arriva Nembo Kid.
Che mondo sarà se ha bisogno di chiamare Superman, che mondo sarà fa l'effetto del motore che non va.
Ecco perchè son tutti qui davanti a te Charlie Brown
An bedeshbod dipidibidò bedan dobedin dobendan subddan subdan subdan subdan uinbedenbodenbedinbedonbedin shudabdandandan ananan baribidobidon bidansu uaaaaaaaaaoooooohhhhhh
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
"O mundo está de olhos vidrados na escolha dos americanos"
- Olha, é ele quem vai escolher o novo presidente!
- Você acha que ele leu os programas?
- Ele tem nosso futuro nas mãos!
- Você acha que ele é racista?
- Espero que ele vote em Obama!
- Calem a boca, tô vendo o jogo!
Por Martin Vidberg.
Achei aqui. (via tomlaigle, quem me deu vontade de também usar o netvibes)
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Gosta de apocalipse?
Quanto te agrada o apocalipse?
[1]
di FRANCESCO MERLO
In: www.Repubblica.it
Se você está vivo e se está lendo, então já está em um outro mundo, ainda que seja com os mesmos aspectos daquilo que acabou há pouco. Disseram-nos, de fato, que no fim do buraco negro, no qual você já se precipitou, há a terra número dois, peça gêmea, apenas uma peça de reposição, aparentemente com os mesmos ingredientes, com o mesmo jornal que, de fato, ainda tem em mãos e com os mesmos cientistas brincalhões. São eles que, na verdade – num imenso laboratório subterrâneo, sepultado a uma centena de metros sob os confins de França e Suíça –, submetem o planeta a uma obstinação epistemológica. Vale a pena dizer, a verificação do big bang.
Segundo informações de primeiríssima mão, sabemos que sobre a terra que escapou da terra vão faltar apenas os mutuários e os aluguéis pra pagar, Bossi, Carfagna e Gelmini[2], os pratos pra lavar, a dor de cabeça e o jogo de futebol. E que o resto se verá. Com certeza, não pode haver novo mundo sem fim do mundo. Até mesmo os Estados Unidos nasceram para escapar da guerra entre Cristo e anticristo, anunciada na Europa como o fim do mundo. A América foi o buraco negro dos peregrinos, a regeneração da humanidade.
De qualquer forma, você que está lendo esse artigo, por favor, não esqueça do céu. Lance às vezes os olhos para ver se lá no alto, sem barulho, o sol não está se apagando, ou, ao contrário, está se expandindo. De fato, não foi dito que o big bang será anunciado com um ruído, poderia se tratar de uma sacudida convulsiva e silenciosa. E então o fim do mundo poderia também ser agradável, como um nirvana, uma interrupção de consciência pouco perceptível, um sonho.
E se em vez disso você estivesse morto e não pudesse nos ler, se amanhã não será mais, em suma, outro dia, bem... Então teria acontecido uma eutanásia, ou melhor, uma “autanásia”, não um suicídio para dar fim à existência do sofrimento, mas um suicídio por jogo científico, por uma explosão que não serve para nada, senão para provar uma hipótese cosmológica.
Não é a primeira vez que é anunciado o fim do mundo. Assim, pode-se dizer que a história do mundo é cheia de fins do mundo, mas é claro que esse seria o primeiro fim do mundo totalmente humano, um fim do mundo laico e secular, sem escrituras, sem Deus e sem religiões, provocado em laboratório, sem paraísos, infernos e purgatórios, sem juízos finais em ordem alfabética, mas também sem a angústia das procissões do último dia e das utopias milenaristas, sem exegeses bíblicas ou redescobertas de textos aramaicos.
Convencidos de que existe uma relação estreita entre a ciência e as convicções mais bizarras, entre os mitos e as descobertas científicas, entre, por exemplo, o heliocentrismo copernicano e o heliocentrismo pré-cristão..., convencidos, em suma, de que o obscurantismo está na base do sistema solar ou, se preferir, que o sistema solar legitima os mitos obscurantistas, estamos todos aqui esperando de verdade esse fim do mundo da “Large hadron collider” que um grupo de cientistas colocou em funcionamento e que um outro grupo de cientistas tentou parar em vão.
Ambos estão obcecados pelo fim e pelo começo, próprios como eram os antigos movimentos espiritualistas e milenaristas. Os cientistas, em suma, substituíram a prece pelo átomo. São eles os nossos bruxos, crêem no fim do mundo um pouco como Kepler que, grande descobridor da órbita elíptica do planeta, era, na realidade, um místico do número. Acreditava na perfeita geometria de Deus, descrevia os demônios e os monstros lunares, mas até mesmo a sua paixão obscurantista pela geometria o fez se voltar para o estudo dos cristais. Notou de fato que “cada vez em que começa a nevar, os primeiros flocos de neve tomam a forma de um asterisco de seis ângulos. Por que não de cinco e tampouco de sete ângulos?”.
E se sabe que Voltaire decapitava caramujos e que Spallanzani passou a vida a amputar sapos. E que se o físico Charles Wilson não tivesse sido um fanático por nuvens, a ponto de tentar fabricá-las em laboratório, nunca teria chegado, sem querer, ao sistema de captura de partículas elementares que lhe valeu o Nobel.
É, se os fanáticos pelo fim do mundo não partissem “em busca da partícula de Deus”, como chegou a declarar James Gillies – o porta-voz do Centro de Pesquisa Nuclear de Genebra (CERN) –, os nossos cientistas não teriam criado o encontro marcado para hoje com o Apocalipse. “Os meus cálculos indicam que o risco de que um buraco negro coma o planeta por causa do experimento é sério”, afirmou o professor Otto Rossler, um químico alemão da Eberhard Karls University.
]
Em suma, hoje, 10 de setembro de 2008, temos a prova final de que a ciência é o produto de seu contrário e que o progresso científico é feito mais de escuridão do que de luz. Como sustentava Leo Szilard, um dos pais da bomba atômica, grande amigo de Fermi e Einstein. Em 1963, Szilard abandonou a ciência e tentou convencer um bilionário americano a financiar com trinta milhões de dólares por ano uma Fundação para reunir os maiores cientistas da Terra. Divididos em dez comitês de doze sábios, eles deveriam ter usado a ciência para parar a ciência ou, ao menos, atrasá-la, atrasando, assim, o retorno das trevas e o nosso fim. E então, se a peça gêmea do outro lado do buraco negro fosse somente uma besteira, ninguém hoje poderia testemunhar que o pobre Szilard tinha razão. Bang.
(10 settembre 2008)
***
Excelente dicionário e tradutor online, acompanhado de artigos wikipedia:
E você gosta de Arquivo X?
sábado, 21 de junho de 2008
sábado, 12 de abril de 2008
hiroshima, mon amour - marguerite duras
te encontro
me lembro de ti
quem és tu?
tu me matas
tu me fazes bem
como teria duvidado que essa cidade fosse feita à medida do amor?
como teria duvidado que tu fosses feito às minhas medidas?
tu me aprazes. que história. tu me aprazes.que lentidão súbita
que ternura
tu não podes saber
tu me matas
tu me fazes bem
tenho tempo
te peço
devora-me
deforma-me à feiúra
por que não tu?
dos impossíveis: ouçam essas linhas ao final desse trecho do filme hiroshima mon amour (alain resnais), aqui, mas em francês. me agrada os sons do tu me tues (tu e matas).
sempre lamentei e regozijei essa intraduzibilidade, desde que a ouvi pela primeira vez.
a tradução da abertura do filme, completa, encontrei aqui.
e achei a transcrição do que traduzi aqui.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
salmo/psaume - paul celan (tradução)

(Paul Celan – minha tradução)
Ninguém nos fará de novo pedra
de terra e argila
ninguém soprará palavra sobre
nossa poeira.
Ninguém.
Louvado sejas-tu, Ninguém.
É pra te agradar que queremos
florescer.
A teu
encontro.
Um Nada.
eis o que fomos, somos e
seremos ainda, florescentes:
a Rosa do Nada, a
Rosa-de-Ninguém.
Com
o estilo, luminoso d’alma
a coroa rubra
da palavra púrpura que cantávamos
acima, ó acima
da espinha.
sábado, 17 de novembro de 2007
cartão postal - Edoardo Sanguineti
falemos, por favor, dos prazeres da vida, de uma vez (disse
à mulher de Van Rossum, segunda, lá pelas 11): (que é uma alemã de Munich,
sim, pouco menos de 30, creio, branca de pele como o branco d’ovo):
e o primeiro
prazer é trepar, claro: e depois, pra mim, dormir ao sol (como dormia, agora,
eu lhe disse, antes que ela chegasse: de torso nu, como me vê, e de pés
nus, etc.): e o terceiro, beber vinho (francês, possivelmente, como aquele
que bebíamos no sábado com Berio, e na sexta também, em Rotterdam e aqui):
(e concluí que o paraíso é trepar ao sol, talvez, repletos de Saint-Emilion):
e me diz que preferiria vinhos italianos em seu paraíso. mesmo um que se chama inferno. não sei, talvez. de vinhos, só entendo de bebê-los.
domingo, 21 de outubro de 2007
tradução - cartão postal
Tudo começou com uma estúpida história de casacos trocados
no restaurante, de Rosetta: (e com tua corrida cega, para além dos escritórios
da Alitalia, distraída, abstraída):
e, há pouco a rir, minha cara,
acho que, então, se ali, no bar do Amor, perdemos com tanta facilidade
a nossa identidade, as nossas vestes, os nossos sinais, nossas características, nossos pontos
de referência, de orientação, o bom senso:
(nos perdemos uma outra vez
no mundo, cada um como pode, e como merece): (e se te escrevo do aeroporto
de Capodichino, partindo pra Amsterdam, com o vôo AZ 424 e AZ 382,
é só pra espantar o azar, afinal: e não por outras razões, verdade, de forma alguma):
(hoje encontrei outra tradução pra esse poema...)
terça-feira, 16 de outubro de 2007
a brasil, velho tema (transcriação, exercício 1)
sacolas pesam nos joelhos gastos da senhora ao meu lado
a brasil desaparece aos poucos e os barulhos crescem sobre as conversas
fui explicar para uma amiga o que escrevia. ficou assim. não são os mesmos. mas são.
la route se jaunit-rougit et la nuit confond les voitures
des sacs lourds aux genoux gâtés de la vieille dame à gauche
la brasil disparâit doucement et les bruits sombrent les paroles

