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sábado, 10 de novembro de 2007

ensaio sobre fantasmas, cap. 2

não reparei quando ela entrou no salão, mas perdi alguns segundos os meus olhos sobre sua blusa logo que a notei e, quando fui disfarçar e olhar em torno percebi logo que os seios possuíam belas pernas, que davam passos firmes mas mulheris e um rosto também nada mal. devia conhecer o autor, foi abraça-lo na mesa de autógrafos e nem aguardou na fila para que este autografasse, emocionado – não dou crédito a ela, nesse ponto, apesar de saber que belos pares de seios são sempre comoventes, no entanto toda aquela noite era dele e devia ser do tipo que ainda não se acostumou com o fato de ser lido, guardando ainda a humildade e o espanto quando defronta um público, mesmo que pequeno.
ela se agachou ao lado da mesa enquanto ele escrevia. ela usava saltos vermelhos e saia branca, e nunca tinha visto uma mulher se equilibrar tão bem assim, agachada. deitaria ali em frente só para perscrutar o jogo de luz e sombra daquele quadro, entre sua saia, suas pernas, o chão e as sandálias.
um tempo depois, ela andava imperiosa pelo salão, quando virou-se rapidamente em minha direção e se aproximou, delicada, de mim, com um sorriso lindo, enorme,
Onde fica o banheiro?
À sua direita.
palavra. tinha palavra tatuada em suas costas, sim, palavra, assim mesmo, itálica, e a blusa frente-única deixava aquele palavrão exposto, em letrinhas quase manuscritas, sobre a pele bronzeada. morderia cada sílaba daquela palavra, degustar toda a sua morfologia com minha língua e destruí-la com meus dentes. vala, larva, para, lavra, lapa, lara, rala, fiquei pensando nas possibilidades que nem notei que ela voltava, o sorriso lá, modelar,
Oi, vocês têm sol?
Sim, claro.
respondi mecanicamente, tinha fogo, mas sol tinha acabado e ela aceitou a heineken. só bebeu uma longneck e não trocamos mais nem monossílabos e ela nem sorriu mais pra mim. mesmo depois de eu ter pedido mil perdões, mas não era eu quem fazia o controle das compras.

Um comentário:

Danielle Vidigal disse...

acho que a única coisa legal de ser homem é poder ter musas.
mas, tá, também é bom servir de musa... ;-)
aí, vc tá certa. escrevendo a gente vive os dois papéis. ;-)
muito bom seu escrito!
beijo!