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terça-feira, 13 de novembro de 2007

Lalangue

Essa palavra me agrada, muito. A alíngua[1] é o conjunto dos erros que cometemos quando falamos uma língua estrangeira. A alíngua é como a nossa pele, o que separa o que somos – nossa língua materna, o idioleto – da língua do outro. As cicatrizes, as manchas, o colorido do sol, as olheiras, são, no discurso, a palavra que falta, a pronúncia confusa, o erro de estrutura. Nos erros do estrangeiro que aprende minha língua, encontro o que ele é. Nos meus erros aparece o meu português que diz quem sou. “Minha pátria é a língua portuguesa”[2]. Meu corpo é essa língua. E eu, sádica, porque ensino, masoquista, porque aprendo, gosto da violência que é ver a pele cortada d’arabossemas, tedemorfes, anglofones, francismas. E por isso minha paixão bondage de traduzir, de me colar sobre o corpo estrangeiro nessa luta em que sempre perdemos.
E porque somos canibais[3].
“vc sabe, senhora, eu gosto de morder a sua lingua portuguesa, ela faz bem para força e para conhecimento.”[4]





[1] Lacan
[2] Pessoa
[3] Oswald
[4] C.

3 comentários:

Clara Gomes disse...

(e essa vontade utópica de dominar todas as línguas e nos dissolver nelas...)

MC disse...

e depois "beber o vinho dissolvido".
para castigar os homens, deus confundiu as línguas, para salvá-los, os apóstolos aprenderam a traduzir.

davide disse...

Così Giambattista Vico ("la scienza nuova") ritiene che la lingua originaria esprimesse sé stessa e i propri concetti per mezzo del gesto (sinestesia). Il significato del "mito" è così riferito al "muto", colui che non può parlare: "mithos-mutos".
"riverrun, past Eve and Adam's, from swerve of shore to bend 1
of bay, brings us by a commodius vicus of recirculation back to 2
Howth Castle and Environs." (fiinegans wake)