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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Édipo cósmico

Aproveitando que o senhor Davide Crippa viajou, posto aqui outro roteiro de sua autoria, antes que ele venha me processar por difamar sua reputação. 

Crippa, aliás, do latim crypta, anda revelando a sua mente grotesca.


Roteiro:

Edipo cosmico



O senhor Otto Reims é um professor de fisica na universidade de Padeborn. Ele està estudando buracos negros, e enche papeis e papeis de equaçoes. Da madrugada até a noite, ele passa o dia no bureau, pesquisando por meses e anos, na esperança de ver nessa massa de simbolos uma configuraçao que por ele seja tao eloquente quanto a palavra verdade.
Uma mulher espera pra ele na casa, cada dia E cada noite, quando ele chega, fica nua na cama, de pernas abertas. Mesmo sendo acostumado, essa visao preocupa o professor, que pega o costume de passar todas as noites olhando a xotinha da mulher, sem tocar ela.
Ela sabe desse estranho costume, e fica aì, immovel, fingindo de dormir. No começo esperava que o marido a pegasse, depois, suas esperanças se mudaram no prazer sutil de ser observadas, mesmo no oscuro. Ela sabia que o marido as vezes ficava perto, pra sentir o cheiro, mas nao tocava.
As vezes, ela dorme de verdade. E, mesmo acordando quando o professor jà era pro laboratorio, ela acha sempre uma mancha na cama, là, perto da sua xotinha. E ela consuma assim seu café de manha, lambendo o que restava do seme do marido, engolindo o que ele nao deixava entrar pelo baixo.
Assim os dias passam, ele trabalhando, ela cada manha comendo esse liquido e as vezes olhando-se no espelho e botando uma mao entre as pernas, até gozar em solidao.
Na verdade, o profesor tem medo de buracos: o buracos que ele estuda no dia, que engole a luz para trasforma-là num outro universo que so' uma sequencia imcomprehensivel de numeros pode descrever, e daquele buraco da mulher, a noite, que deveria engolir sua virilidade, até produzir uma copia dele que so' uma sequencia incomprehensivel de numeros pode resumir.
No mesmo tempo, ele, como a luz, é atirado para buracos: e o prazer é o mesmo em descobrir uma equaçao que esclarece a confuçao ou em gozar em silencio, a noite, perto da mulher, olhando e cheirando ela.
Mas num dia de novembro, depois dessa pratica quotidiana, a mulher do professor, encontrando o seme ainda fresco, pega ele na punta dos dedos e bota na sua xotinha aberta. E bastante que ela mete dois dedos pra ela gozar, assim, como se o mardio fosse ali, com o sexo pulsante dentro dela.

è com terror e joia que descobre de ser gravida. è com medo e terror que o professor descobre uma ordem no chaos de numeros que descreve novos universos além dos buracos negros.
 
9 meses depois, quando falta pouco ao segredo da cosmologia que lhe vale o premio nobel, a sua mulher vai de urgencia no hospital.
Otto Reims espera. O filho nasce. Pelo mesmo buraco que engole a luz, agora sai uma creatura: e nessa creatura ele se reconhece, sua copia.
Ele pega o filho entre os braços, e o filho cresce: os segundos sao meses, anos, o filho é adolescente, depois jovem, depois homem.
ELe està olhando sua vida, aì, desenvolvendos entre seus braços.
Mas essa vida nao para: o homem fica velho, horrivel, depois morre em um minuto, deixando entre os braços do professor uma massa em decomposiçao.
Ele olha a mulher, sem palavras: ela olha pra ele, com esse olhar de quem sabe jà todo.
Em silencio, abre a porta, e fuge correndo com um grito.
Reconheceu o segredo.  

FIM 

Um comentário:

Clementine disse...
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