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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

em busca de perda de tempo

desde que me lembro vou deitar-me tarde. malgrado o cansaço, o excesso das coisas me serve de adoçante das horas; desde que me lembro, apraz-me a policronia, incapaz de desocupar qualquer tempo que seja, amassando papeizinhos enquanto falo, pensando em outras coisas enquanto ouço. incapacidade de ser minimamente estática.
chegando da rua e já buscando ocupar mãos sobre os teclados, percebi tardiamente as bolsas de suor formadas pelo correr do dia e o banho se fazia urgente. o que não evitava as revisões mentais do que estava alhures.
em um gesto mecânico, respirei fundo a umidade da t-shirt, de cheiro arrebatando as narinas.
senti subitamente que conhecia aquele cheiro de outras axilas. em um átimo, um outro tempo invadiu o banheiro pela água confortavelmente fria. um conforto da realidade daquele cheiro tomou todo meu tempo como que prisioneiro, fora de meu alcance, mas ali, visível sobre meus olhos, nos buracos do chuveiro.
o que não evitou que eu continuasse tomando banho enquanto lavasse as calcinhas.

Um comentário:

yuri disse...

“gesto” é com “j” agora?