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sábado, 15 de agosto de 2009

Heróis de bicicleta

Eras pós-bélicas são propícias a nascimento de heróis. Clark Kent e Clark Gable, por exemplo, levantaram a moral americana.

Na Itália, terra de viajantes, os heróis pós-45 foram Fausto Coppi e Gino Bartali. Ambos disputaram vários Giri d'Italia e Tours de France. Sobre duas rodas, cruzavam os Alpes e os Pirineus.
Coppi, com seu coração mítico (de 44 pulsações por minuto) e Bartali na sua cruzada a bicicleta.

Coppi foi julgado por adultério e foi condenado pelo Papa. Bartali era reconhecidamente um bom cristão. E assim a Itália se dividia, cada um era obrigado a escolher por quem torcer, tomar a decisão. Artigos emocionantes dos cronistas da época, descreviam a aura celeste que envolvia os campeões. Não existia nada além deles no horizonte possível.

Havia ainda um resquício de Futurismo, e aqueles homens eram as máquinas perfeitas para uma sociedade do porvir.

Quem apoiasse Coppi não podia entrar na igreja. Mesmo assim, não se podia negar que "A estrutura morfológica de Coppi[...] parecia uma invenção da natureza para completar o modestíssimo engenho mecânico da bicicleta" (Gianni Brera). Ou que o "nariz triste como uma subida e o ar alegre de italiano de folga" do Bartali era encanador (Paolo Conti, cantando sobre ele).

Após um atentado contra o líder do partido comunista, o Primeiro ministro italiano liga para Bartali pedindo que ganhe a etapa em que estava, pela unificação da Itália. Bartali não decepcionou a nação. Mesmo assim, os dois super-homens tinham, praticamente, o mesmo fôlego.

A foto célebre dos ciclistas coloca em jogo a rivalidade que existiria entre os dois. Eles não teriam apenas sido divididos pelos torcedores? Rivais, mas justos. Alguém passa a garrafa d'água para o outro; nunca se soube quem, nem eles se preocuparam em esclarecer. Cantavam alegres: somos rivais, mas você me apraz.


Um, morreu de malária, após corrida em celebração à unificação do Alto Volta (Burkina Faso).

Outro, morreu bem velhinho e saudável, mesmo com o vinho quotidiano.

Ambos foram ali os heróis necessários para a recuperação - e até mesmo construção - da identidade italiana.




***

Especialmente para os cicloamigos da Pedal 2, Via Pedal, Transporte Ativo

DVD
&MC

ps: Já havíamos falado de heróis na Itália.

Um comentário:

Thiago Florencio disse...

Oi MC, que bom receber sua mensagem! Agora não nos vemos mais né, fui mandado para a Sibéria!

Estranha coincidência intestinal num é?

Beijos

o roedor de ventanias